Weeds_2012
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Ervas Daninhas_2012

Mármore e Metal

Dimensões Variáveis

Marble and Metal

Variable Dimentions

 

 

O que nos move reflete-se na forma como nos organizamos e nas conexões de poder daí resultantes. Morais e crenças, ideias e sentimentos são o que nos guia, mais do que a economia. Esta é apenas a arma mais usada para liderar as massas, mas é a capacidade do Homem de sentir ciúmes que move o mundo. Acreditamos que ter é poder e, mais do que por necessidade, precisamos pertencer e alcançar um certo status social que - acreditamos - nos tornará mais felizes. É por isso que tentamos encaixar-nos em parâmetros definidos por outros, voluntária e obedientemente. Estamos cada vez mais singulares, competitivos e desconfiados um com o outro, sem perceber que é em contato com o Outro que aprendemos.

Vivemos um tempo de mudança. Vemos os sinais à nossa volta todos os dias, nos pais que perderam o emprego, no velho que não pode pagar os seus medicamentos, na criança sem brinquedos para brincar, nas casas muradas sem vida. Coisas que acreditamos nunca vir a acontecer-nos, até que algo imprevisto muda o nosso curso, e todo o caminho que pensávamos ter traçado se transforma e se desvia para novos começos. Das ervas daninhas, reclamo o instinto de sobrevivência que as caracteriza, uma adaptação constante que prevalece sobre qualquer tempestade. Mais do que uma praga, as ervas daninhas são um símbolo de resistência às adversidades, algo que também caracteriza o ser humano, mas que tendemos a esquecer. Precisamos de uma ruptura no contacto humano que promovemos todos os dias. Precisamos reconhecer como as nossas manhãs se tornam melhores se dissermos um bom dia ao próximo. E que é inútil escondermo-nos com objetos e coisas - eles quebram-se, arranham-se, estragam-se.

Como a erva daninha é capaz - mesmo no meio do cimento - de gerar as flores mais bonitas, também podemos resistir ao clima individual que nos cerca e abrir-nos para a partilha. Porque no final o que resta é o beijo roubado, a boa conversa que não esperávamos ter, a mão amiga que está lá quando necessário, o sorriso inesperado de um estranho ... no final, o que nos enche são as pequenas e despretensiosas alegrias que compartilhamos com os outros.

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What moves us is mirrored in how we organize ourselves and in the connections of power resulting therefrom. Morals and beliefs, ideas and feelings are what drives us, more than the economy. This is just the weapon most used to lead the masses. But it is Man’s ability to be jealous that moves the world.We believe that having is power, and more than out of need, we have to try to belong, to achieve a certain social status that – we believe – will make us happier. That is why we try to fit into parameters defined by others, voluntarily and obediently. We are becoming more and more singular, competitive and distrustful towards one another, without realizing that it is in contact with the Other that we learn.
We live now in a time of change. We see the signs all around us everyday, in the parent who lost his job, in the old man who cannot afford his meds, in the kid without a toy to play. In wallled houses without life. Things we believe will never happen to us, until something unforeseen changes our course, and all the path we thought we had traced transforms itself and deviates into new beginnings.
From weeds, I take the survival instinct that characterizes them, a constant adaptation that prevails over any storm. More than a pest, weeds are a symbol of resistance to adversity, something that also characterizes the human being but that we tend to forget. We need a rupture in the human contact we promote every day. We need to acknowledge how better our mornings become if we say good morning to our neighbor. And that it is worthless hiding ourselves beyond objects and things – they break, scratch, get ruined.
As the weed is able – even in the middle of cement – to generate the most beautiful flowers, so can we resist to the individual climate that surrounds us and open ourselves to sharing. Because in the end what stays is the stolen kiss, the good talk we weren’t expecting to have, the helping hand that’s there when needed, the unexpected smile from a stranger… in the end, what fills us are the small and unpretentious joys we share with others.