Batalha das Flores_2020

Metal e Cerâmica Vidrada

Metal and Glazed Ceramic

120x120x200cm

A Batalha das Flores é uma festa popular barcelense que anualmente agrupa a comunidade local num desfile onde as pessoas atiram pétalas umas às outras, numa explosão confusa que enche as ruas da cidade de cores distintas e cheiros mil. Esta escultura é uma homenagem a essa tradição popular e foi criada em Barcelos em Setembro de 2020, durante a residência artística Amar O Minho, uma iniciativa da Zet Gallery (Braga) e do consórcio In Minho. O objectivo da residência passava por trabalhar a partir da Olaria e da Cerâmica, usando-as não só como técnicas constructivas mas também como inspiração formal, com a revolução da roda e das peças de olaria utilitária a dar o mote para a configuração da obra e com a noção do múltiplo e da repetição a oferecerem o ritmo visual à composição.

 

Apropriei-me deste fragmento da narrativa histórica e popular da cidade de Barcelos para trabalhar e investigar elementos de tradição e património local, bem como para continuar a explorar e a questionar o espectro da acção humana. O conceito de batalhar com flores apresenta-se recheado de poesia e reflete o epítome daquilo que, como pessoas, somos capazes. Se é pelo confronto que nos definimos - enquanto espécie, indivíduos, cultura e sociedade - e é a partir dele que evoluímos, as batalhas quotidianas que vamos vivendo definem o trajecto que traçamos no mundo e como para ele contribuímos. Construir quasi-flores, singelos e delicados seres, para expressar um combate, uma dança comunal e corpórea muitas vezes confusa e inexperiente, é uma forma de me apropriar da simbologia formal e teórica a elas associadas e usá-la para expressar esse fenómeno humano, o de sermos capazes da mais brutal acção sobre o outro, ou do mais terno carinho.

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Batalha das Flores is a popular party in Barcelos that annually brings together the local community in a parade where people throw petals at each other, in a confused explosion that fills the city streets with different colors and a thousand smells. This sculpture is a tribute to that popular tradition and was created in Barcelos in September 2020, during the artistic residency Amar O Minho, an initiative of Zet Gallery (Braga) and the consortium In Minho. The purpose of the residency was to work with Pottery and Ceramics, using them not only as constructive techniques but also as formal inspiration, with the revolution of the potter's wheel and of the pieces of utilitarian pottery setting the tone for the configuration of the work and with the notion of multiple and of repetition offering the visual rhythm to the composition. I appropriated this fragment of the historical and popular narrative of the city of Barcelos to work and investigate elements of local tradition and heritage, as well as to continue to explore and question the spectrum of human action. The concept of battling with flowers is filled with poetry and reflects the epitome of what we, as people, are capable of. If it is through confrontation that we define ourselves - as a species, as individuals, as culture and society - and it is from it that we evolve, the daily battles that we live in define the path we trace in the world and how we contribute to it. Building quasi-flowers, simple and delicate beings, to express combat, a communal and corporeal dance that is often confused and inexperienced, is a way of appropriating the formal and theoretical symbology associated with them and using it to express this human phenomenon, that of being capable of the most brutal action on the other, or of the most tender affection.